segunda-feira, 5 de março de 2012

Sonho perdido


Sonho ao Vento

Cadê aquele mais vário sonho
Que só o destino o fez meu?
-Talvez asas o fez livre e voou...
Voou para longe e se perdeu!

Cadê aquele mais raro sonho
Que um dia Deus me deu?
-Talvez não tenha mais asas,
Ninguém viu onde se pendeu!


Cadê aquele mais nobre sonho
Que só da minha dor bebeu?
-Talvez matasse a sua sede, e
Não lembra quem a ofereceu!


Cadê aquele mais tênue sonho
Que mesmo ao vento se ergueu?
-Talvez não goze mais da força,
Pois dono deste sonho fui eu!


E, cadê aquele simples sonho
Que uma vez já me rendeu?
-Talvez não retorne mais aqui.
Cadê o meu sonho? -Morreu!

                         Ivan Ribeiro

Ass.


Só por hoje

Já gozei demais
Sobre a minha própria
Trilha as dores de existir.

Construi mulheres e homens
Que ficaram no meio
Do caminho e, que hoje
Estão quentes na memória
Fervendo em um verso
E, frio no outro a segui-lo.

Mas, jamais gozei
Sobre a minha própria
“Filha” os amores de escrevê-la
Como seu mais íntimo poeta.

Construi sonetos e rondós
Que hoje estão passados
Pelo tempo, (démodé), até
Por demais; Eu não gozo
Mais tantas dores!

Se, demais gozei
As dores, jamais é dizer
Nunca mais aos meus amores.
-
Estou por agora construindo
O futuro em versos presentes, e
Amanhã, outros estarão no lugar
Em que estes estão aqui
Assim: Só por hoje!
_
Jamais gozei os devidos
Amores que hoje me consomem
Por inteiro, por direito!
: Demais gozei as devidas dores...

Mas, hoje este mal está
Inteiro, por direito em
Uma folha branca em branco;...
-
Sem nenhuma
Assinatura por mim ou
Por qualquer outro Poeta que
Admira-se gozar sua marca
Em uma razão de ser.
-
Vejo meu ser com
A paixão ao me ver o Poeta                   
Assinando em baixo;                          

                          ...Ivan Ribeiro!

Do bicho-lixo ao bruxo-luxo!



 O Outro e agente


O luxo o outro reforma, o lixo a gente Conforma.
O corpo o outro enfeita, a Alma a gente aceita.
A vida o outro Lamenta, a morte a gente enfrenta.
O amor o outro comporta, a dor a Gente suporta.
O pobre o outro Analisa, o playboy a gente improvisa.
O dia o outro cala, à noite a gente Fala.
A boca o outro adeja, o sexo a Gente beija.
A água o outro ferve, o Fogo a gente serve.
O porro o outro O pulsa, o sangue a gente expulsa.
A Coisa o outro acata, a dose a gente Mata.
A mão o outro alerta, o pé a Gente aperta.
O parto o outro aparta, O fato a gente farta.
A doença o outro a Edita, a saúde a gente evita.
O cigarro O outro o acende, o jererê a gente Revende.
O samba o outro chama, O rock a gente trama.
O sol o outro Transpira, a lua a gente inspira.
O Amigo o outro culpa, o inimigo a Gente desculpa.
O pai o outro cega, Da mãe a gente desprega.
O filho o Outro o desconhece, o neto a gente Conhece.
O deus o outro salta, o diabo A gente exalta.
O paraíso o outro nega, O inferno a gente prega.
A neurose O outro a bole, a overdose a gente Engole.
A voz o outro agrava, o ouvido A gente lava.
O poema a gente tem, só O leitor que não vem,
Pois a gente avalia Revolta, e o outro sequer alivia
De Volta;... Por ter Sabor de toda gente?

                                        Ivan Ribeiro

Aos Alcoolistas


O bêbado

O bêbado é o mais forte
Dos leões; até ao lado
Da morte, é mais!

O bêbado é o mais belo
Dos modelos; até ao lado
Do zelo, é mais!

O bêbado é o mais sábio
Dos filósofos; até ao lado
Do lábio, é mais!

O bêbado é o mais santo
Dos sagrados; até ao lado
Do pranto, é mais!

O bêbado é o mais cômico
Dos humoristas; até ao lado
Do mico, é mais!

O bêbado é o mais feito
Dos corajosos; até ao lado
Do eleito, é mais!

O bêbado é o mais rico
Dos burgueses; até ao lado
Do cínico, é mais!

O bêbado é o mais alto
Dos soberanos; até ao lado
Do assalto, é mais!

O bêbado é o mais bravo
Dos selvagens; até ao lado
Do escravo, é mais!

O bêbedo é o mais fino
Dos elegantes; até ao lado
Do grã-fino, é mais!

O bêbado é o mais livre
Dos poetas; até ao lado
Que o prive, é mais?...

O bêbado é assim, é tudo...
Menos ele mesmo; até ao lado
Do mudo, ele é um Absurdo...

Ao lado do surdo, que jamais
O ouve calado!

                          Ivan Ribeiro


Motivo



 Motivo para rir


Quando dos teus olhos, água
Quentes me vêm caindo sobre
Meu chão. Já entrego a mágoa
Tua ao meu bem mais nobre.


Quando teus lábios sem vida
Tocarem os meus. Se, sentir
Tão firmes, por ser mais lida
: Dar-te-ei motivo para rir!


Quando ainda eu lhe mostrar
O que a vida nos traz de bem,
Estarei pronto a lhe alegrar
Por todos instantes que tem!

                            Ivan Ribeiro

A Norma Ribeiro



Notícias

: Já no dia em que eu nasci,
Não houve somente em mim
A certeza que eu envelheci
Por um instante; assim vim!


: Pois, depois de me guardar
Para o mundo, eu que teimei
Para nascer e me mostrar
A ele; Ó, mãe como te amei!


Agora, já, me aventurando
Neste chão destes pecadores,
Eu posso dizer que pisando
Nele, trago-lhe muitas dores.


Mas, trago-lhe não somente
Notícias que te faz inquieta,
Venho dizer que de repente...
Eu me tornei o seu "Poeta"!

                                Ivan Ribeiro

Soneto

           
           em graça maior
                         

                    “Nos seus beijos de fogo há tanta vida”
                                                                Castro Alves



Eulalia! Se, és flor de um perfume raro
Vindo do Éden a pousar no alto-galho
Virgem na graça maior! Que haja o orvalho
Posto mais que é lindo. Ah, só dê-me amparo!



Se, és alguém feito as palavras que ‘spalho
Num caderno amigo, és alguém tão caro
Na indizível paixão presa ao meu claro
Bem-querer de um verso. Ah, se não me falho!



Tens da chama a perfeita luz, e ao lhe ver
Luzir, mais gosto me há no olhar distante;
-És igualmente a Vega,... Pois sabes ser!



Ai, meu bem! És mais que a Musa já errante
E, eu, Poeta amante, não sei se não temer
O que chamo de amor,... Por todo instante!...


                                               Ivan Ribeiro