quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Roleta Paulista

Na madrugada em que
A boemia me engole de gole
Em gole, vou me perdendo
Em cada botequim que paro e me
Deparo em um velho cowboy. Só me
Apraz um sinal verde, já que por Ele
Eu lhe vejo igualmente meu herói!

Na madrugada em que
A poesia me conhece de prece
Em prece, vou me encantando
Em cada esquina que paro e me
Deparo em uma velha puta. Só me
Apraz um sinal verde, já que por Ela
Eu me vejo igualmente seu herói!

Na madrugada em que
A folia me abraça de graça
Em graça, vou me encontrando
Em cada espelho que paro e me
Deparo em uma nova face. Só me
Apraz um sinal verde, já que por Ela
Eu me vejo igualmente seu herói!

Na alvorada em que estou com
Meu V8; Nem coisa alguma me engole, me
Conhece ou mesmo me abraça, pois ‘stou há
Quase 300 p/ hora, e não me traz sinal
Vermelho, já por Ele eu não me
Vejo em tudo quanto me que me dói;
-É que meu Bem espera por mim!
Será que chego lá a ser enfim o seu herói?!
                                              Ivan Ribeiro

Autoexílios

Autoexílios

A dor que me diverte
Abre a porta para dentro de mim,
Navego em ondas calmas
Onde é o meu exílio, lá sou herói
De uma fragata em que desvenda
Os mares; lá sou herói, Herói de mim!

O amor que me desperta
Abre a porta para dentro de mim,
Sobrevôo em ventos brandos
Onde é outro exílio, lá sou herói
De uma esquadrilha em que penda
Aos ares; lá sou herói, Herói de mim!

 A fúria que me corrompe
Fecha a porta para dentro de mim,
Sobrevivo em ondas bravas em
Ventos fortes onde é meu pesar.

 -Cá sou gladiador de uma arena em
Que luta pela dor e o amor, luto,...
E não há exílios; cá sou perdedor
De mim, às vezes, sou de Mim o vencedor.
Do resto, cá sou cowboy, Cowboy de mim
E de alguém, como dói!
                                     
                                            Ivan Ribeiro

Com licença que sou poeta

Com licença que sou poeta


Quando nasci, um anjo junkie
Desses que gritam uivam à noite
Cantou: vai, seu vagabundo!
Ser porra louca para o açoite
Que te espera no mundo
Do tronco afundo com trinco.


Tempo foi eu fui! Cá estou com
As cicatrizes sem necessidade
De fingir as atrizes, minhas
Dores incolores amores em cores.


Aceito meu fado que me reserva
Sem propriedade ao Deus...
Desfeito meu lado, a erva me
Tem sem piedade, nem eu me
Rejeito o afamado d’outros; Eus!


Quando nasci, um anjo punk
Desses que sussurram na treva
Louvou: Vai, seu merda! Herda
Teu antepassado, e vai ser
Poeta do seu tempo, onde Eva
Leva teu verbo ao vento...


Vai ser bobo da corte?! Vê
Que nada é cordial para o forte.
- Poeta é um ser invocado por
Sua rebeldia! Assim sou eu.


Ivan Ribeiro
            18/01/12

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Haicai



Haicai              

 A árvore cresceu!
Deu flores... A fruta
O velho colheu.

       Ivan Ribeiro

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Versos Noturnos


Versos Noturnos


Eu, aqui ao pé da noite não tão veloz
Onde eis-me co’a dor de poeta de versos
Feitos como quem morre, são diversos
Meus confeitos a calar o que me há voz.



Já não me conheço, pois nem bem persos
São meus dias, mais me vejo um albatroz
Que inda bate asas num destino feroz
Além do horizonte, além dos submersos...



-Dor de poeta é dor de um verso que não fez
Mas sentiu; sentir é o que faz sentido,...
Sentido é o que faz sentir... Mas de uma vez!



Jamais quis ser um poeta já destruído
Pelo meu tempo, pois se assim que desfez
Meu Juízo,... falta faz meu comprimido!


                                                  Ivan Ribeiro

Desculpa



Desculpa




Convém de quem se ocupa ao
Mérito, ser o Dr. do amor da dor
A debelar o feito e abafar ao sujeito.
Ele examina a alma fixa no corpo a dar
O diagnóstico ao contaminado, fato
Que é exato o ato de culpa que há
Uma patologia, e ocupa o que não se
Preocupa a dar os devidos cuidados.

  ...


-Vês, Dr.!? Olhe para o silêncio e
Os ilustres fantasmas ao eriçar das
Vozes roucas e com asmas. Vês, bem?!
Pois são soluços d’além-mundo?
São elas aflitas, ditas d’algum lugar
Por quem?! São vozes sopranos de
Satânia em baixo-tom? Ou são elas
Graves de Elmônia em alta-tonificação?

   ...


Toda veia que está avulsa é fria, nem
Mesmo pulsa com o calor da vida sem
O seu dia. Quer a tinta escarlatina, quer
A mais pura da boa sorte, e a quer sem
À vista, sem aviso prévio nem da corte.
  
   ...


Devotos o dão a benção para que não
Seja mais um infante do caminho ao seu
Corpo quente e alma ardente, e aos seus
Votos a uma terra sem fulgor.
  

  ...


Mas, depois da glória,... O feito dá vitória
Em princípio ao sujeito. É antes da prece
Íntima a dor, mas é depois da prece
Para a vítima; O eleito há de pôr mais
Um sujeito aos portões dos Céus!

                                            
                                 Ivan Ribeiro                                                                                                                                








Minha carne



Minha carne



Minha carne é mais negra,
A mais em conta do mercado.
Carne que só pobres comem
Quando ela sobra do gado.



A minha carne é de gato
Temperada pra churrasco,
Espetinho feito de com amor
Das mãos de um carrasco.



A minha carne é herança
De meus grandes mouros,
Carne dura no prato pobre
No qual dispõe aos louros.



Minha carne é mais negra,
Negra feita à cor da noite!
Feita à cor do dia; O nego,
Já que espera o seu açoite;
No pega-pega já está pego!   


                        Ivan Ribeiro