quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Teu Rosto


Teu Rosto
(Comparação do mesmo)


Se agora estou aqui pensando
Em teu Rosto, é por Ele ser o
Fantasma que me devora a hora
Do meu tormento; - Existo por
Ter em vista ou me pasma?!


Se agora estou aqui fumando
Em teu Rosto, é por Ele ser a
Maconha que me devora a brisa
Dos meus passos; - Existo por
Ter em vista ou me sonha?!


Se agora estou aqui gritando
Em teu Rosto, é por Ele ser a
Gralha que me devora a voz
Da minha garganta; - Existo por
Ter em vista ou me falha?!


Se agora estou aqui gozando
Em teu Rosto, é por Ele ser a
Fantasia que me devora o tesão
Do meu criador; - Existo por
Ter em vista ou me alivia?!


Se agora estou aqui rezando
Em teu Rosto, é por Ele ser a
Salvação que me devora a alma
Do meu escarpando; - Existo por
Ter em vista ou me hão?!


Se agora estou aqui chorando
Em teu Rosto, é por Ele ser a
Causa que me devora o pranto
De minhas pálpebras; - Existo por
Ter em vista ou me pausa?!


Se agora estou aqui escrevendo
Em teu Rosto, é por Ele ser a
Musa que me devora o suor
De meus versos; - Existo por
Ter em vista ou me recusa?!
...

E, se depois cá estiver esperando
Em meu Rosto, é por Ele ter o
Mesmo gosto que lá, dois há forma
De um só diamante; - Existo por
Ser artista e por estar posto
A esmo!...


                           Ivan Ribeiro
  

Posse


Posse


Existe um alguém
Lá dentro de mim
Que é mais que eu
Do que eu mesmo,
E este alguém já
Existe há tempos
Aceso em lá mim,
Pois este alguém
Que só me habita
Silencioso em si;
-É outro eu que ao
Que sou me pede
Só o meu socorro.


         Ivan Ribeiro

Meu cadáver

Ex-cremento




Já gozei pela boca
O verbo ao vento,
Hoje gozo à força
Pelo cu se lamento
O verbo ao acento,
Depois me limpo
Com minha língua,
Já que pela boca
Eu me engasguei.
Só me falta alguém
Calar o ex-cremento
Do meu cu já que
Estou com o verbo
Preso no ventre,
Mas a diarréia vem
Tendo a forçar o
Verbo aos ventos
A quem a boca me
Calou por pouca
Bosta; Aí, atentos:
-vem vindo por aí
Mosca de voz rouca!


          Ivan Ribeiro

Madalena


Madalena


De ser tão tênue e até alvo
O teu seio então por visto,
Os servos da nua imagem
São os filhos de vós; Cristo!


Fostes então, ó Madalena!
De um tormento fecundo,
A semente que o pecado
Germinou por tão imundo.


De ser puta, a mais beata
Do seio já mais não brilha,
Surge em ti o que te doura
Como de Deus sendo filha.


Fostes ainda o que foras
Em normas do que tu és;
-Salgadas são as lágrimas
Que caem sobre teus pés!


                      Ivan Ribeiro