domingo, 28 de junho de 2015

Igualmente Igual


Já não sei se sou vice
ou se sou versa
tampouco sei se vi alice
dentro de minhas maravilhas
nas perdidas ilhas
com ela pouco siso muita conversa

Já não sei se sou ice
ou se sou berg
talvez sei que vi rose, ai se
é jack o burguês em amor e arte
dentro da arca maravilhada
na cilada de deus vindo do albergue!

Já não sei se sou contra
ou se sou o verso
nem tão sei se sei (se) se encontra
um só eu cá dentro de um verbo
sei que versejo e isto até vejo
mas nem tão mais disperso

Já não sei se sou bemol
ou se sou sustenido
tão pouco sei se há um rouxinol
fora de meu íntimo quase tímido
no entanto que haja som
para o coração quase falecido

Não sei se sou matéria irreal
ou matéria orgânica
já nem sei se sou alma ardente
ou se sou corpo quente leal
esperando outro igualzinho ao meu

-mas sei que não saberei da mecânica.





Hicaí de gala


Relógio derretido,
Na parede não o ouço
Se salva dor dalí.



Cinza


Na perda de minha linda
eu já rimei amor com dor... como todos!

amor, talvez se rima com dor
vida se rima com com color em cima com colar em cima
de toda flor com bolor

fui e minha linda se anima




sem cor sem clima...

com clima de cinzas e cinza de outono.




O gosto antigo do novo


boa noite, meus velhos bardos!
meus velhos senhores nocturnos
jovens há mais tempo que eu
boêmios cantores que os tempos
-já não trazem mais
deixe-me um trago um gole uma dose
de suas essências para um verso meu
deixem comigo 
o gosto amigo e antigo nos lábios trêmulos

Eu quero cantar ar

o gosto antigo de teus versos
de teus amores tuas dores mais fortes
eu sei que não terei não edificarei
mas boa noite, meus velhos poetas
d'estantes e soturnos solitários 

deixe-me instantes na boca
de um velho neopoeta noturno
que virá um dia que os saibam bem
que eu vos dirá igualmente como os sendo

um tanto tonto também
tento meu verbo girá em mim em vós
aqui para acolá do além
:me deixará comigo convosco, amigos!
o gosto de que há o novo
dentro d'estantes envolto ao pó

Eu quero cantar ar


Vininha & Bukowski

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Versus Nocturnos


Aqui, ao pé da noite não tão veloz

Onde eis-me coa dor de poeta de versos

Feitos como quem morre, são diversos

Meus confeitos a calar o que me há voz.

.

Já não me conheço, pois nem bem persos

são meus dias, mas me vejo o albatroz

que inda bate asas num destino feroz

além do horizonte, além de imersos…

-

Dor de poeta é dor de um verso que não fez

mas sentiu; sentir é o que faz sentido,

sentido é o que faz sentir… mais de uma vez.

-

Jamais quis bem dizer o altar vendido

tão cheio de graça por Deus… se desfez

meu juízo, faz falta meu comprimido.





A voz de um poeta

Esta voz rouca em que veio me afirmar
O poeta que sou, noutro já foi exemplo
De uma jóia rara em fúria do templo
Que fez dela mais alta. Por quem gritar?
.
Esta voz baixa em que veio me operar
O louco que sou, noutro já não vem p´lo
Que foi real, e nem mesmo contemplo
Mais o sinal que fiz dela. Por me almar?
.
O poeta que fui em mim fez-se o louco
Em mais sintonia comigo mesmo;
O louco que sou em mim faz-se o poeta.
.
Noutro poeta, o tom nunca foi tão pouco
Em mais harmonia, porém sendo a esmo;
Vale-me o silêncio… a alma da caneta.

Conclusão


I
Se o que se faz
Pelo que foi desfeito
Mais que já feito
É o que foi desfeito.

II
Se o que se desfaz
Pelo que já se fez,
Mais do que feito
É o que se desfez.