Nunca soube dizer adeus aos meus versos. Não sei deixá-los partirem sem que os ensinassem a serem bravos soldados. Não sei despedir-me de meus versos porque sei de sua perversa e doce adolescência, de sua rebeldia já melindre e de inocência bruta de terror absurdo e de amor um tanto quase absoluto. Também sei do meu amor a eles e suas dores são as minhas culpas... desculpas imediatas e interditadas. Sei disto, mas dizer adeus aos meus versos é deixá-los órfãos às imundices do mundo e aos olhos e vozes do bando em permanente conflito. Mas meus versos se os dito, é porque não são realmente meus... Estes versos largados ao vento, reprimidos pelo tempo que privei nutrindo-os de leite e muito mimo, são gritos adultos do meu lápis em volts e revolta. Versos para o povo, meu pão desta lida de pátria mal parida! Versos diversos, adeus! -Adeus, meus versos... Filhos do meu seio manso.
Ando por aí Gozando a delícia da noite, Matando a fome do meu nariz Em meio à rebeldia que desenho Num sonho novo dentro ovo que é o mundo. Por aí vou me ardendo, erguendo-me Na mais alta-noite, lendo-me Como se eu fosse um best-seller. Por aí vou me amando, armando-me No mais alto-grau, ando Por terras nunca já trilhadas. Por onde andei, A sós, pisei em folhas mortas Que a vida ao chão as deserdaram, Mas foi o silêncio do inverno que Deu-me o gosto de um novo bem. Ando por aí Tragando ares de amor proibido, (Que inda é o meu pecado) Ares sob o telhado da noite fria. -Por onde ando, querida? Ando por aí ao acaso da vida Que me fez de repente estar aqui E, novamente... Estou sempre de partida!
O bêbado é o mais forte dos leões; até ao lado da morte é mais! O bêbado é o mais belo dos modelos; até ao lado do zelo é mais! O bêbado é o mais sábio dos filósofos; até ao lado do lábio é mais! O bêbado é o mais santo dos sagrados; até ao lado do pranto é mais! O bêbado é o mais cômico dos humoristas; até ao lado do mico é mais! O bêbado é o mais feito dos corajosos; até ao lado do eleito é mais! O bêbado é o mais rico dos burgueses; até ao lado do cínico é mais! O bêbado é o mais alto dos soberanos; até ao lado do assalto é mais! O bêbado é o mais bravo dos selvagens; até ao lado do escravo é mais! O bêbado é o mais fino dos elegantes; até ao lado do grã-fino é mais! O bêbado é o mais livre dos poetas; até ao lado que o prive é mais!
O bêbado é o mais absoluto dos deuses; até ao lado do luto é mais! O bêbado é assim, é tudo... Menos ele mesmo; até ao lado do mudo ele é mais um absurdo, até ao lado do surdo é mais!
meus poucos amigos... tão claros tão raros, meus caros! tão caros em me servir as mãos sempre que possível deixam outras coisas mais deixam outra coisa amais que o impossível :imagens en color en close visões para o céu para o mar recordações de fogo e de gelo infinitos particulares para amar desamar e para ser só ser perdão ar sobre o ar que me faz pensar... :os meus poucos amigos sempre que possível ficam mais claros raros e tão caros quando possivelmente pousam suas mãos na minha mão.
Quatro partes de mim Da parte primeira de mim me levou Ao campo de concentração num forte Sonho à noite... Já ao lumiar deu sorte Com sol! Mas me veio a treva e me acordou. Da parte segunda me trouxe o corte Pro pulso e perdi tudo aquilo que sou... De meus sonhos, o único que restou Foi a lembrança de mim quanto à morte. E só por hoje, da parte terceira De mim, o meu cadáver podre dorme Aqui com os corvos... Chacal me cheira... Já da minha quarta parte 'stou torto Querendo a quinta que é em mim conforme A luz do campo, a luz de um sonho morto!