Eu até pensei um poema com você e somente com você... mas me veio do jornal as vozes da crueldade nas ruas vilas favelas, e no entanto das luas ilhas e velas o poema não me veio.
Até pensei o teu corpo a tua boca os teus seios, minha musa deusa! Quando ouvi que a política do país excomungava um amigo companheiro meu, e até pensai em minhas mãos... sabe? E o poema não me veio. Vinha pensando em liras em lindas canções vivas no luar mais belo que há lá fora na beleza das matas virgens no cachorro latindo em latim quando me veio os gritos de guerra daquela terra, os gritos de luta e em paz se falou e se calou. -e o poema não me veio! Perdoa-me, minha musa deusa passarinha? perdoa-me por não existir o teu poema, quem sabe um dia o teu sairá edificado como deve. Quem sabe, minha passarinha? quem sabe?
Nunca soube dizer adeus aos meus versos. Não sei deixá-los partirem sem que os ensinassem a serem bravos soldados. Não sei despedir-me de meus versos porque sei de sua perversa e doce adolescência, de sua rebeldia já melindre e de inocência bruta de terror absurdo e de amor um tanto quase absoluto. Também sei do meu amor a eles e suas dores são as minhas culpas... desculpas imediatas e interditadas. Sei disto, mas dizer adeus aos meus versos é deixá-los órfãos às imundices do mundo e aos olhos e vozes do bando em permanente conflito. Mas meus versos se os dito, é porque não são realmente meus... Estes versos largados ao vento, reprimidos pelo tempo que privei nutrindo-os de leite e muito mimo, são gritos adultos do meu lápis em volts e revolta. Versos para o povo, meu pão desta lida de pátria mal parida! Versos diversos, adeus! -Adeus, meus versos... Filhos do meu seio manso.
Ando por aí Gozando a delícia da noite, Matando a fome do meu nariz Em meio à rebeldia que desenho Num sonho novo dentro ovo que é o mundo. Por aí vou me ardendo, erguendo-me Na mais alta-noite, lendo-me Como se eu fosse um best-seller. Por aí vou me amando, armando-me No mais alto-grau, ando Por terras nunca já trilhadas. Por onde andei, A sós, pisei em folhas mortas Que a vida ao chão as deserdaram, Mas foi o silêncio do inverno que Deu-me o gosto de um novo bem. Ando por aí Tragando ares de amor proibido, (Que inda é o meu pecado) Ares sob o telhado da noite fria. -Por onde ando, querida? Ando por aí ao acaso da vida Que me fez de repente estar aqui E, novamente... Estou sempre de partida!
O bêbado é o mais forte dos leões; até ao lado da morte é mais! O bêbado é o mais belo dos modelos; até ao lado do zelo é mais! O bêbado é o mais sábio dos filósofos; até ao lado do lábio é mais! O bêbado é o mais santo dos sagrados; até ao lado do pranto é mais! O bêbado é o mais cômico dos humoristas; até ao lado do mico é mais! O bêbado é o mais feito dos corajosos; até ao lado do eleito é mais! O bêbado é o mais rico dos burgueses; até ao lado do cínico é mais! O bêbado é o mais alto dos soberanos; até ao lado do assalto é mais! O bêbado é o mais bravo dos selvagens; até ao lado do escravo é mais! O bêbado é o mais fino dos elegantes; até ao lado do grã-fino é mais! O bêbado é o mais livre dos poetas; até ao lado que o prive é mais!
O bêbado é o mais absoluto dos deuses; até ao lado do luto é mais! O bêbado é assim, é tudo... Menos ele mesmo; até ao lado do mudo ele é mais um absurdo, até ao lado do surdo é mais!
meus poucos amigos... tão claros tão raros, meus caros! tão caros em me servir as mãos sempre que possível deixam outras coisas mais deixam outra coisa amais que o impossível :imagens en color en close visões para o céu para o mar recordações de fogo e de gelo infinitos particulares para amar desamar e para ser só ser perdão ar sobre o ar que me faz pensar... :os meus poucos amigos sempre que possível ficam mais claros raros e tão caros quando possivelmente pousam suas mãos na minha mão.